Um homem pode ser tudo. Namorado, amante. Ferramenta, brinquedo. Sofá-cama, tapete. Mas um homem depende do arranjo de desejos e preconceitos do observador para lhe atribuir uma posição específica. E, aqui, o observador sou eu. Digo, portanto, que Roxas Caelum é um marido. O marido com o qual eu seria feliz em casar. Tenho argumentos.

Ele é gostoso. E ele é um gostoso gigante. Você consegue passar uma semana só nos braços. Sentir o aperto das mãos, lamber os bíceps flexionados. Você pode sentar nesses bíceps e ser levantado por eles.
Numa noite fria os braços dele te mantêm quente, te protegem de pesadelos, até do fim do mundo, esses braços são um bunker.
A pica. O pênis. Quantos centímetros tem a forma da beleza?

Muitos centímetros, veja você. Um pênis você deixa babado antes de montar. Você chora, puxa ar, sente o rosto vermelho, amígdalas inchadas — preparação e adoçamento. Depois? Depois os verbos. Cavalgar. Rebolar. Quicar. Gemer. Gozar. En-fei-ti-çar. A noite inteira, mais inteira que a própria vida até aqui.
Um marido não é como um homem que você fode na sauna. Ou no acostamento. Não é como o Policial Militar que você chupa ao voltar da balada. O marido faz parte de um ritual. Tudo em seu entorno são resíduos de adoração: a lista de compras, as roupas pra lavar, o resto de unha cortada, a pergunta que ele não responde, cujo silêncio te mantém esperando no corredor.

Eu, que nunca casei, quereria ver meu macho fodendo outro passivo. Olhar para ele, ver o quão lindo ele é. Testemunhar sua brutalidade, o que o faz homem. Ao fim, nós dois apenas, porque romantismos são consagrados entre o casal.


O que mais gosto em Roxas Caelum, antes dos braços, da pica, das costas e coxas, é o olhar. Diz se não dá vontade de fazer um cafuné, de se surpreender com eles sobre você no meio de uma trivialidade doméstica.


Claro que, se logo abaixo do olhar, estiver a pica apontando bem dura, pingando pra te comer, muito melhor. O combo perfeito.
Por isso é marido.
